domingo, 15 de maio de 2011

Eu vim de lá pequeninha...

Tudo de bom acontece quando seus pais fazem aquela visita básica de fim de semana. E foi na última delas que os dois me apresentaram um álbum online de fotos antigas, ou como prefiro, clássicas, de Bom Jesus do Itabapoana, terra de hospitalidade, como diz a Canção do Bonjesuense Ausente.

Todas as fotos estão em um site jornalístico local, o Repórter Online. Apenas lá, sem data certa, créditos, nomes. Como toda boa lembrança, meio desfigurada pelo tempo e, mesmo assim, apaixonante. Registro aqui minhas favoritas.



Que charme esses taxistas à espera de seus clientes na Praça Governador Portela. A Igreja Matriz ao fundo. Tudo permanece muito parecido. Bom Jesus é como meu pequeno país comunista parado no tempo. Mentira. Cresceu muito, se modernizou dentro do que podia. Eu ainda retribuo tudo o que me deu, principalmente o pontapé que me botou para fora.
Copa do Mundo de 1958. Os bonjesuenses, assim como o resto do mundo, conhecem Pelé e comemoram o primeiro título do Brasil. Nessa foto, torcedores em frente ao prédio do jornal A Voz do Povo.

Muito a cara de Bom Jesus o padre comemorando o título de 58 com a galera. Adorei essa foto.Meu pai é apaixonado por carros. Execelente motorista. O primeiro emprego sério foi em uma concessionária da Ford que abriu em Bom Jesus. Mas, antes dela, havia a Willys. Esses modelos rurais da época são incríveis.


Imagina a cara que nós fizemos quando encontramos essa foto de uma reunião de mulheres, sabe-se lá Deus de quando? Deixei a melhor por último. Quem é a única mulher da foto que está olhando direto para a câmera? Detalhe para o sapato, a perna cruzada e o cabelo Audrey Hepburn. Meu exemplo de bom gosto (que a minha avó não me ouça), Tia Landinha, Iolanda, para os mais distantes. Ela tem nome de música, minha gente. Estilo vem de berço. Com seus 84 anos, ela continua não deixando barato. Unhas impecáveis e vestidinhos floridos. Bonita por demais, por dentro e por fora.

Um brinde ao que nunca envelhece.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

As cidades de Ana


Eu tenho uma música favorita: Moon River, voz do Frank Sinatra, melodia do Henry Mancini. Música é uma coisa engraçada. Leva você para qualquer lugar. Agora mesmo, estou na frente da Tiffany's, the greatest one, em Nova York. É um misto de tristeza boa com saudade. Aliás, saudade é tristeza boa.

Lendo aqui As Cidades de Ana, começo a achar que está na hora de parar de escrever. Isso vindo de uma pessoa que quase não escreve mais. Porém, como vontade dá e passa, vou esperar um pouquinho para ver se é isso mesmo. A Ana cresceu! Só acho que ela nunca conseguiu dizer exatamente como é essa paixão dela pelas cidades.

A Ana é essa personagem que eu inventei de mim mesma. Não gosto e acho pouco criativo falar de mim na terceira pessoa, mas é que todo mundo me conhece como Polly. Só que quem escreve este blog é a Ana, entende?

E a Ana já morou em muitos lugares! A Polly frequenta as aulas e trabalha duro. Mas a Ana, essa sabe das coisas! Eu preciso celebrá-la mais.

Porque assim como as cidades, todos nós somos muitos em um só. Eu acho que a Ana, essa minha personagem, é como uma cidade no Natal: iluminada e melancólica, lembrando as chuvas finas que sempre caem nessa época. E eu simplesmente não sei como me despedir dela.
Não acabou, yet.

domingo, 18 de julho de 2010

Amanhã é 23...


Há muito eu pensava em escrever sobre a experiência de ter 23 anos. A idade em si não teria nada de mais, não fosse por algumas coincidências que eu fui encontrando por aí, entre um filme e outro e a vida real. No fim, os 23 acabam dizendo muito mais sobre mim mesma do que qualquer outra idade já poderia ter dito.

Em "Antes do amanhecer", Celine (Julie Delpy) tem 23 anos e é estudante da Sorbonne. Não trabalha, não sabe o que fazer da vida e passa férias viajando de trem pela Europa. Quando assisti ao filme, a primeira coisa que pensei foi: ou eu supero a Celine aos 23 com emprego e estabilidade ou eu justifico a minha confusão tendo a personagem como exemplo. "Se a Celine, que é tão incrível e inteligente não sabe o que fazer da vida, eu também não preciso saber". E não me culpo por levar em consideração uma pessoa que não existe. A arte não serve para experimentar o que não é real?

Acabou que com a idade da Celine eu tenho o emprego legal, passei da faculdade para a pós-graduação, mas não tenho estabilidade nem as férias de trem pela Europa. O que ela pensaria se pudesse me ver agora?

Mas a que mais faz com que eu questione a minha realidade é a Natalie Keener de "Amor sem escalas". Pausa para dar os parabéns a Anna Kendrick pelo papel que a fez dar adeus aos filmes adolescentes e estúpidos, tipo Crepúsculo, sabe? Não há nada que eu deteste mais do que um vampiro. Na verdade há sim: um vampiro adolescente com pó de arroz.

Mas voltando ao assunto. No filme, a Natalie se forma com louvor na faculdade, mas se muda para uma cidade "nada a ver" com o namorado que, eventualmente, termina com ela. Enquanto Natalie achava que fazia a coisa certa, trabalhava demitindo pessoas com o George Clooney, que não vem ao caso. Ela queria a família e a carreira. Nem uma das duas aconteceu na hora esperada.

Acho que aos 23, a Rory de Gilmore Girls se formou em Jornalismo e foi trabalhar na campanha de um certo senador de Illinois que queria se candidatar à presidência. Como é o nome dele mesmo? Ah! Barack Obama. Fico pensando se a Rory estaria em Washington agora organizando as coletivas de imprensa... Aos 23 ela não tinha a menor ideia de que daria certo.

Nem poderia ter. Com essa idade, o mundo nunca ficou com um ponto de interrogação tão grande. Eis o que os anos me disseram:

Aos 23, você fica em dúvida se trabalha feito uma maluca ou se equilibra o tempo com mais estudo. Certamente, você vai querer viajar e a escolha tem de tudo para ser um mochilão pela América Latina. Nada pode ser mais óbvio do que isso. Você pode querer morar sozinha, mas vai precisar da ajuda dos pais para encontrar e organizar os móveis... e a vida. Eles também vão te ajudar a pagar o aluguel. Não se engane. Aos 23, ningúem é independente. Você vai pensar que da sua idade seus pais já estariam casados ou pagando a festa de casamento das irmãs. Morando sozinha aos 23, você vai certamente ter superado qualquer desavença juvenil em relação aos seus pais. É a melhor fase, quando família vira amizade também.

É provável que você queira se casar aos 23, mas recusaria a proposta por um emprego incrível em São Paulo, Nova York, Tel Aviv ou qualquer outra cidade interessante. Nessa fase, você vai voltar a acreditar que casamento é amor. Antes, você pensava que era um contrato, porque fazia mais sentido. Jovem de esquerda que foi, como todas. Você pode descobrir que parar de pensar em casamento é salvar o namoro.

Muito importante: você vai ter certeza de que escreve mal e de que nada no mundo vai resolver o problema. Ou você nasce para trabalhar na The Economist ou deixa de lado a pretensão. É o tipo de coisa que não se aprende.

Aos 23, sua amiga solteira convicta vai começar a namorar sério, muito sério. Você vai ter a sensação de que o mundo está entrando em uma nova era. Sua prima de 23 acaba de entrar na faculdade de Cinema. Seu apartamento é o melhor lugar para se viver.

Com 23 anos, você nunca esteve tão velha e tão jovem ao mesmo tempo. Nada é "preto no branco" aos 23 e talvez nunca mais seja. Finalmente, você vai parar de buscar respostas para tudo nessa vida e vai aceitar o que é apenas mistério, fé ou gente que nunca vai gostar de você. Você vai até tirar o "apenas" dessa frase. Pela primeira vez, você vai achar a sua vida mais interessante do que uma série de TV.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Música para os meus ouvidos


O que eu ouvi no fim de semana:


- Pixinguinha Sinfônico

- Moon River e o tema de A Pantera

- Orquestra Sinfônica britânica tocando Queen

- Cabaret Alemão

- Meu namorado, que cuida de mim em tempos de prisão domiciliar pós-cirúrgica.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ansiedade engorda!


Se eu quisesse realmente fazer jus ao meu estado presente, já começaria explicando por que raios pratiquei a seguinte ação: digitei a palavra "ansiedade" no Google. Porém, como estou de mudança, resolvi começar pelo início. Fato primeiro, explicação depois. Hoje, pelo menos hoje, sem atropelos.

Juro que eu estava atrás de um poema que pudesse definir de um jeito criativo isso que eu não sei se chamo de sintoma ou de doença. E continuo não sabendo, porque diante das combinações de ansiedade sugeridas pelo site, resolvi deixar de procurar respostas para escrever isso aqui.

O fato é que ao escrever "ansie" no Google já aparece: "ansiedade como controlar", "ansiedade generalizada" e finalmente, o mais assustador, "ansiedade engorda".

Pela amostra e com ajuda da minha mente apocalíptica, pensei: "O mundo está perdido. As pessoas são ansiosas, ficam mais ainda tentando resolver o problema, acham que é uma coisa generalizada e, por isso, comem feito loucas."

Depois de um minuto, quebrei essa corrente de pensamentos do mal para, pelo menos, conseguir falar por mim.

Se o que eu tenho é ansiedade ou inquietação, a única coisa que eu quero é que isso não saia do meu controle. Sim, porque as pessoas tem controle, mesmo que o seu psquiatra diga que o que você tem é depressão e não tristeza.

Porque hoje, como diz minha amiga Lilian, ninguém mais se permite ficar triste. Tristeza, se durar até amanhã, só cura com remédio.

E, por Deus, não quero ser uma daquelas pessoas que viram para a outra e dizem: "O que você tá tomando? Ah, minha filha, eu não fico sem minha fluoxetina."

Hoje, eu só quero ficar aqui com meu coração partidinho desabafando com um mundo que nem me conhece só porque escrever é o tipo de coisa que lava a alma. Da ansiedade, vou cuidando devagar. Seria uma ironia da minha parte querer resolver isso correndo.

E quando eu terminar de ficar triste eu saio do quarto e vou ao cinema.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Back to Basics


De volta ao Brasil, de volta à rotina. Mas qual rotina?

Incrível como tudo parece estar igual... até eu olhar com mais atenção para perceber que nunca antes na história nada esteve tão diferente.

Especilistas em saúde mental vão dizer que fui eu que mudei. E mudei mesmo, talvez seja isso.

É que pela primeira vez desde sempre, terminei a faculdade e voltei de uma viagem longa, a grande viagem da minha vida.

Agora, sou um barril de expectativas, a sonhadora que sempre fui, só que com os meios para colocar os sonhos em prática.

O que aprendi com Nova York? A ser objetiva, sem deixar o romantismo, acho que essa foi a minha principal lição. Posso estar diante de uma muralha de prédios gigantes e, em um segundo, dar de cara com o Central Park, laranjinha com as folhas do outono. Na cidade ou na vida, acho que é assim que as coisas funcionam.

O Padre Zé Paulo faleceu. Amigo da minha família e chefe da paróquia tradicionalista da cidade (a qual não frequentamos), o Padre Zé Paulo também se tornou meu amigo, a pessoa que, em uma conversa de domingo, me falou sobre Nossa Senhora de Lourdes e o que eu poderia aprender com ela. Depois, descobri que ela apareceu pela primeira vez no dia do meu aniversário, na França. Hoje, a tenho como amiga, a mais especial de todas.

Chorei muito com a morte do Padre Zé Paulo, mas ele certamente passa do Céu de tão bom. Logo, não há com o que se preocupar. A saudade, essa sim é inevitável.

Meu apartamento continua sendo meu lugar favorito no mundo todo. De Bom Jesus, senti mais saudades das pessoas do que da cidade, o que não deve ser novo para ninguém. Mas de que são feitos os lugares se não de pessoas? Pronto, senti falta foi de tudo.

Mas agora que voltei, parece que nunca estive longe. Dormi, sonhei e acordei. Só que de onde vem essas fotos que guardo aqui no computador e na memória? Provas de que sonhei sim, acordada.

Amanhã é um novo dia. Um brinde ao tempo! É tudo verdade, minha gente.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Moon River


Existe uma Nova York que só "Moon River" consegue cantar. E essa Nova York é também aquela que só os apaixonados podem ver.

E eu vejo todo dia, como num filme cuja trilha não sai da minha cabeça.

Com quantos amores se faz uma cidade?











quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A cidade e o mundo


Não existe temporada melhor para se conhecer Nova York que não seja setembro. Restinho de verão, começo de outono, aquela dúvida sobre o tempo: Vai fazer frio ou não? Vai chover? A verdade é que Nova York é imprevisível como um homem e isso, claro, aprendi assistindo Sex and the City.

Este post, no entanto, não será apenas mais uma declaração de amor à cidade. Comecei a pensar em escrevê-lo durante minha caminhada para casa, com a Primeira Avenida fechada por causa da Assembléia-Geral da ONU, que começa pra valer amanhã.

Andando pela rua, percebi que a cidade e a temporada têm tudo que eu sempre quis reunir em uma viagem: pessoas cosmopolitas e cosmopolitans, um trabalho que nunca vou esquecer e meu primeiro sobretudo. A idéia simples e humilde de estar na mesma cidade que o presidente Barack Obama, melhor, de trabalhar no mesmo prédio onde ele faz mais um de seus ótimos discursos. A oportunidade de colocar em prática meus micos de jornalista em início de carreira. Nova York traduz o espírito da América: um continente de oportunidades.

Conforme caminho pela calçada, vendo o trânsito seguir caótico, não consigo parar de pensar no que Che Guevara e a Princesa Jasmin têm em comum: Nenhum deles gostaria de voltar para o lugar de onde partiram.

E desde já aviso que não precisa ser um lugar físico, até porque quero sim voltar para casa, ou melhor, para as casas que eu deixei em duas cidades do Rio de Janeiro. Dito isso, continuo com minha associação improvável.

Uma das frases mais famosas de Che diz "Retroceder jamás!" e um dos trechos da música tema de Aladin cantado pela princesa diz "I can't go back to where I used to be." Se um guerrilheiro e uma personagem de desenho animado têm a mesma opinião sobre a idéia de andar para trás é porque, talvez, ela seja realmente uma preocupação de interesse coletivo.

Eu voltarei para casa no fim do outono, mas meu lugar será outro, porque já não sou mais a mesma. Volto, mas não saio de mim e sigo em frente.

domingo, 20 de setembro de 2009

I was a dreamer, but now I'm John.


Engraçado como algumas músicas, frases ou lembranças acabam ilustrando nossos dias por acaso. Hoje, a trilha sonora foi "God", uma das primeiras canções de John Lennon após os Beatles.

Não que ela tenha tocado de verdade, a não ser na minha cabeça. O mesmo verso repetindo o tempo todo: "I was a dreamer, but now I'm John". O suficiente para me fazer pensar sobre aquelas vezes em que deixamos de ser sonhadores para nos tornarmos apenas nós mesmos, ou aquilo que sempre fomos.

Para isso acontecer, às vezes, é preciso acabar com a banda. "God" também é a música do verso "the dream is over", a frase mais famosa sobre o fim dos Beatles.

Mas antes que possa parecer, este não é um post triste, sobre o fim. Trata-se de um post sobre o começo daquilo que sempre se quis.

E não adianta, nenhuma ruptura vem tranquilamente. Mesmo que ela seja para melhor. Talvez, não esteja preparada para falar sobre isso agora, talvez me falte inspiração suficiente para escrever sobre isso. Mas, certamente, não me fatam exemplos.

Nova York é uma cidade impressionante. O mundo inteiro parece se resumir aqui. No entanto, no meio de tanta gente, de tantas culturas e de convivência entre as diferenças, não parece existir lugar no mundo onde as pessoas se sintam mais sozinhas.

Hoje, após um domingo agradável, minha fiel amiga Louise e eu saímos de casa em busca de doces e chocolates para aquecer o frio. Se logo na rua seguinte existe um Starbucks, não é preciso muita criatividade para saber onde ir em busca desses suprimentos.

E lá fomos nós. Chocolate gelado (herança de um país tropical) e brownie para mim. Nas mesas ao lado, pessoas sozinhas e seus laptops ou headfones engraçados. Apenas nós duas fazíamos companhia uma a outra.

Nova York também é uma cidade de pessoas solitárias. De pessoas que preferem descer de seus apartamentos em uma noite fria para usar a internet de um Café.

E digo mais. Nova York é uma cidade de pessoas que, como eu, deixaram os lugares que mais amam em busca de uma experiência de vida, ou de sobrevivência. Viver um sonho não é fácil.

E lá no Starbucks, o que tocava? Um CD dos Beatles, não me lembro qual agora. Mais uma vez o acaso surpreende, ou seria o destino? Ainda tenho dúvidas sobre qual deles realmente explica os acontecimentos.

Talvez o sonho não tenha acabado. Talvez seja apenas preciso mais alguém para sonhá-lo junto com a gente. Algumas maçãs são apenas grandes demais para se devorar sozinho.

sábado, 19 de setembro de 2009

Heaven, I'm in heaven...


Todo mundo sabe que quando estou feliz, começo a cantar. Logo, não há surpresa no fato de que hoje, ao caminhar pela Times Square, me peguei cantando aquele refrão "Heaven, I'm in heaven...".

Eu sei, eu sei... Muita luz, gente, barulho, a impressão de que "talvez" não estamos diante de um ambiente sustentável, o que me causa uma certa sensação de culpa, trabalhando na ONU, onde a sustentabilidade está na lista dos Top Five.

Mas as you see, eu gosto mais das cidades grandes e adoraria que elas fossem sustentáveis. Porque sendo assim, do que mais precisariam?

Até a Sarah Jessica Parker andando pela rua como em um episódio de Sex and the City esta cidade tem. A não pelos filhos e pela fã brasileira dizendo que a amava (quem será essa louca?), estava ali uma cena que poderíamos ver na TV. E eu vi, mais do que isso, fui parte dela.

Ninguém nasce novaiorquino, nos transformamos em um. Acho que estou a caminho. Tudo que sinto aqui me lembra o meu melhor estado de espírito: o sem sossego.

E é fazendo jus a esse espírito, que pretendo passar os próximos dois meses dentro desta maçã. O trabalho é incrível, as pessoas interessantes e saudade de casa é muito, muito grande. Não preciso de mais nada para me sentir mais viva do que nunca. Ou preciso? Nunca se sabe.

sábado, 12 de setembro de 2009

La gran manzana


Depois de quase dois anos alugando os episódios de Sex and the City, uma vida inteira cantando Start Spreading the News, intercalada com aquela parte de "Shes's living la vida loca" (Woke up in New York City), aqui me encontro, na cidade que nunca dorme, aquela da estátua da liberdade. A maça mais gostosa do mundo.

Parecia que o avião até já estava preparado para a minha chegada: a principal revista do vôo, que era para Miami, trazia uma matéria sobre "Lan gran manzana", justo na edição do mês que me trouxe para cá. Foi quando percebi que gostei muito do termo em espanhol. Big Apple é muito óbvio e Grande Maçã, bom, se eu quiser fazer um blog com o apelido em português, terei que tirar o ç do endereço, o que o deixaria decepcionalmente descaracterizado. E tem mais: Fala-se muito espanhol em Nova York, mas eu chego lá.

Por falar em chegada, tive a mais novaiorquina possível. Saí do JFK procurando um táxi daqueles amarelinhos, para me levar à casa de uma amiga que vive em Park Slope, no Brooklyn. O senhor que me levou erá húngaro e ficou me perguntando sobre as diferenças entre o português e o espanhol. Demos mil voltas no Brooklyn até encontrar a casa dela. Tudo porque os motoristas de Manhattan parecem não se interessar muito pelo bairro, que é uma graça.

À noite, tive minha estréia pelos metrôs da cidade. Fomos ao Soho para guacamoles e tacos em um genuíno restaurante mexicano. Fiquei triste ao saber que não gosto da verdadeira comida mexicana, mas o que se pode fazer? Gosto não se discute.

Acordei no dia seguinte e resolvi caminhar, conhecer o bairro e atravessar a Brooklyn Bridge a pé. It was a lovely walk! As casas de tijolo bem marrom, as escadas de incêndio, as pessoas dizendo "Morning!" o tempo todo. Do outro lado da ponte, Downtown e uma parada no Starbucks, porque ninguém é de ferro.

E como diz Carrie Bradshaw, "em Nova York todo mundo está procurando por um namorado, um emprego ou um apartmento". O namorado eu tenho, o emprego é na verdade um estágio, que está mais para um sonho realizado, mas o apartamento... esse sim é o grande desafio!

Minha amiga Louise chegou hoje e, como vamos morar juntas, nossa saga começa! Agora mesmo, estamos no lounge do albergue, o Jazz on the Park, no West Side, com nosso computadores ligados em busca do "real state heaven" para universitários.

Antes de falar sobre isso, preciso mencionar o lovely taxi driver que me trouxe aqui hoje. O Brooklyn não tem táxis amarelos, mas tem empresas de transporte executivo. É só ligar que um motorista aparece na sua porta. Foi assim que conheci o Juan, do Equador.

Muito, muito gente boa. Ensinei portugês e aprendi espanhol. Ele ama o Pelé e o considera melhor que o Maradona, um cara sensato. Há 14 anos em Nova York, Juan disse que não perde uma Libertadores e que se amarra em assistir os brasileiros "bailando com la pelota". Ele até sabe que o Fluminense não anda muito bem das pernas e pincipalmente: sabe que a capital do Brasil é Brasília e não o Rio de Janeiro.

Voltando a uma das procuras mais difíceis da cidade, Louise e eu visitamos um apartamento que oferecia um quarto para alugar. Caro e pouco espaço. A busca continua amanhã.

Sobre a comida: Quem me conhece sabe o quanto aprecio uma boa refeição. Apesar disso, apenas no primeiro dia consegui comer uma comidinha gostosa: salada com salmão. Nos dois dias seguintes, tive poucas refeições satisfatórias. E tudo porque ainda estou um pouco confusa com a oferta gastronômica da cidade: comida étnica ou junk food. Não se pode comer salmão ou steak todo dia...

Outra coisa que ficou muito clara para mim foi a saudade, intraduzível em outros idiomas. Penso nos meus pais, na minha irmã, no meu namorado e em todos os meus amigos o tempo todo. Saudade que não acaba. E quando eu tenho saudade ou fico triste o que eu canto? "Ai que saudade eu tenho da Bahia!" Da minha Bahia...

Tivemos um dia frio e chuvoso hoje, o que nos fez colocar uma rícula capa de chuva amarela para sair na rua. Não basta ser turista, é preciso pagar mico. Com o meu pago, pretendo passar os próximos dois meses sem correr esse risco.

Ahh outra coisa que preciso mencionar é o cartaz da nova temporada de House, que estréia no dia 21 de setembro, na Fox. Colado quase na porta, só pra me lembrar de assistir.Verei!

sábado, 15 de agosto de 2009

Sobre estar em casa


Eu adoro morar com meus pais. Mas não, eu não moro mais com meus pais, já há alguns anos. Mas, sim, eu moro com meus pais.

"Engraçado, não é, como a verdade soa diferente...". Penny Lane, a personagem que quaaase rendeu um Oscar de melhor atriz coadjuvante para Kate Hudson, antes dela entrar nessa onda de comédia romântica. Adoro esse filme, Quase Famosos. E a parte que a banda inteira canta Tiny Dancer no ônibus?

É que comecei a pensar sobre meus pais, sobre o quanto eu os amo. E o Festival de Woodstock também faz aniversário. São 40 velinhas? E porque estou ouvindo My Generation do The Who. E porque ganhei um laptop e porque levei um susto quando vi meu histório acadêmico completo. Porque eu tenho um canudinho. Porque eu vou passar dois meses morando em uma Grande Maçã. O que eu sempre quis, sempre.

Esta vida é muito louca. Louca mesmo. E de onde vem essa sensação dupla de "quero ficar, mas só se me deixarem ir embora"?

E de sumir de repente? E de aparecer de novo com outro corte de cabelo?

No mesmo filme, o menino que quer ser jornalista diz a Penny: "Preciso voltar para casa". Ela responde: "Você está em casa".

E no final das contas, até meus pais moram comigo, porque eles moram no meu coração. Porque eu não durmo sem falar com eles...

E como diz a minha mãe, só para me agradar: "Todo mundo no meio sabe que os melhores jornalistas vieram do interior".


# Foto especial: Capa do disco de Woodstock.



quinta-feira, 23 de julho de 2009

Envelheço na cidade.


Home alone total, há quase duas semanas. E se tem uma coisa que acontece quando a gente mora sozinho é a vontade repentina de fazer uma refeição completa: nada de lanchinhos, nada de risotos experimentais na cozinha. Hoje, resolvi jantar fora.
Primeiro, fui à Gruta di Capri, mas eles não têm cardápio para uma pessoa. Solteiros do mundo, uni-vos! Aparentemente, é muito difícil fazer uma refeição sem companhia em um restaurante. As pessoas te perguntam se você está esperando mais alguém. Como diria minha madrinha Carrie Bradshaw, nas festas é ainda pior. Quem vai sozinho, fica na mesa das crianças.
Resolvi, então, ir atéb o Ícaro, a carta na manga. Lá existe uma vantagem: se você chega ao restaurante sozinho (e com fome) é bem melhor, há sempre mesas disponíveis para uma pessoa e uma fila de espera gigante para o resto.
Tudo isso escrito acima para explicar a razão do título e do texto. Enquanto estava me deliciando com meu pratinho, parei para ouvir a música que estava tocando: Envelheço na cidade, do Ira!, claro. Mais uma pausa.
Depois de quatro anos e meio, uma monografia, um diploma desnecessário, todos os meus estágios e muitos, muitos amigos eu não poderia mesmo ser outra pessoa que não uma garota de vinte e poucos anos enevelhecendo na cidade, insegura e triste, mas com uma fé muito insistente de que tudo vai ficar bem, não só no final, mas logo nos próximos capítulos.
Porque envelhecer tem lá o seu charme e os seus paradoxos. O mesmo ar que a gente respira acaba oxidando nossas células, só que a gente nem repara que elas continuam se renovando até ficarmos velhinhos mesmo e precisarmos de um descanso da velhice e da cidade.
Envelheci muito hoje e achei ótimo. Mas vai ser mais legal ainda envelhecer dois meses em Nova York.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

As melhores poesias du jour


Nada como Cora, Seu Carlos, Pablito e Mario.

Saber Viver

Não sei...
Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura...
Enquanto durar

Cora Coralina

Seu Carlos

Amor é bicho instruído
Olha: o amor pulou o muro, o amor subiu na árvore em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem às vezes não sara nunca, às vezes sara amanhã.

Carlos Drummond de Andrade

Pablito!

"Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos
Não quero ser... sem que me olhes
Abro mão da primavera para que continues me olhando."

Pablo Neruda

Poeminha Sentimental

"O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se emboraOutra, nem isso,Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo: As andorinhas é que mudam."

Mario Quintana

quarta-feira, 25 de março de 2009

Certeza


Aos 14 anos não passava de uma criança, mas sabia de tudo, tinha resposta para qualquer pergunta. Cresci e, como qualquer adulto, já não sei de mais nada... gente grande se perde, mas, de vez em quando, consegue achar o caminho de volta, exatamente ao se lembrar da época em que começou a se tornar a pessoa que é hoje. Aos 14, comecei a minha história, do meu jeito e com escolhas próprias. Quis sair de Bom Jesus, fiquei triste quando meus pais não me deixaram, resolvi fazer Engenharia Química, me apaixonei pela primeira vez... E como a vida tem trilha sonora, não podia deixar de relembrar a música que marcou essa época: "Giz", do Legião Urbana.



E mesmo sem te ver

Acho até que estou indo bem

Só apareço, por assim dizer

Quando convém aparecer ou quando quero

Quando quero

Desenho toda a calçada

Acaba o giz, tem tijolo de construção

Eu rabisco o sol que a chuva apagou

Quero que saibas que me lembro

Queria até que pudesses me ver

És parte ainda do que me faz forte

E, pra ser honesto

Sou um pouquinho infeliz

Mas tudo bem

Tudo bem, tudo bem...

Lá vem, lá vem, lá vem de novo

Acho que estou gostando de alguém

E é de ti que não me esquecerei

Tudo bem, tudo bem...

Eu rabisco o sol que a chuva apagou

Tudo bem, tudo bem... Acho que estou gostando de alguém

Tudo bem, tudo bem...

sábado, 7 de março de 2009

Um (a) bonjesuense sempre por perto...


Sim, estamos por toda parte! E, invariavelmente, somos capazes de tornar a vida de outro semelhante um pouco melhor. Somos de Bom Jesus!

Tudo começou assim: Meu namorado me chamou para ir a um concerto na Sala Cecília Meirelles no Rio. Que me perdoem os cultos e eruditos, mas nunca havia ido a um concerto de verdade, se é que algum dia já conheci um de mentira.

Saí do trabalho um caco, levando em conta o calor que tem feito nesta cidade abaixo dos trópicos. Precisava de uma escova no cabelo e de unhas feitas, para ontem. No Centro, onde trabalho, existe de tudo, mas desconfio que os melhores salões do bairro estejam mesmo na Rua Sete de Setembro, que faz esquina com a Primeira de Março. Andei um pouco até chegar lá e fui direto ao Shopping Vertical:

_Moço, tem salão aqui neste prédio? Qual é o andar?

Fui parar no segundo, em um salão lindo, "provavelmente caro", pensei. Disse para a atendente que precisava fazer as unhas e ela respondeu que não havia horário disponível. Fiz cara de triste. A atendente perguntou o meu nome e eu falei, já sem esperança. Para minha suspresa, a moça que estava ao lado dela vira para nós duas e diz:

_Sabia. Você não está me reconhecendo. É a Pollyana filha do Esio?

Eu mesma, a filha do meu pai.

Ela continuou:

_ Eu sou de Bom Jesus também! Você pode aguardar 15 minutos que alguém vem fazer as suas unhas e a sua escova.

E assim foi feito. Com uma manicure muito simpática, a Lucia, e um cabeleireiro muito simpático, o Arnaldo. Ahh! Esqueci de dizer: Meu anjo da guarda para assuntos de beleza se chama Simone!

Obs: Tente arranjar um salão limpo e decente sem marcar hora no Centro do Rio de Janeiro sem anjo da guarda! No mínimo, você vai precisar de sorte. Eu preciso de Bom Jesus...

Agora, sem nenhuma suspresa e apenas a título de registro: O nome do salão é Espaço 7! Logo 7, meu número favorito de todo o sempre! Merece uma propagandinha básica!


Espaço 7 - Centro de Estética

Rua Sete de Setembro, 48, loja 207 (Meu Deus, olha o 7 de novo!)

Vertical Shopping - Centro - Rio de Janeiro

Telefone: (21) 2509 - 7663/ 3852 - 7078/ 2221 - 5407


Rua macedo Sobrinho, 4b

Humaitá - Rio de Janeiro

Telefone: (21) 2226 - 0411